Ensino médio regular VERSUS ensino médio técnico

É preciso levar em conta que 70% dos alunos que concluem o ensino técnico conseguem colocação no mercado de trabalho um ano após a conclusão do curso.

tecnico

Muitos pais me perguntam se devem ou não incentivar os filhos a adentrarem em um curso técnico. Eu respondo com outra pergunta: “Você, se fosse um empregador, daria prioridade a um candidato que já tivesse uma formação básica e um estágio ou àquele sem experiência e formação alguma?”

Cada dia mais observo que os estudantes, tanto de escola pública quanto particular, estão distantes da realidade do mercado de trabalho, não têm noção do segmento com o qual se identificam e têm dificuldade de relacionamento interpessoal; tais questões são provenientes da falta de abordagem ao assunto com os jovens. Enquanto eles não perceberem que quem tem mais conhecimento específico de determinada área tem mais condições de conseguir um emprego, isso pra eles não fará sentido algum. É assunto desconexo, entende?

Acredito até que não está no radar dos pais um fato muito relevante: 70% dos alunos que concluem o ensino médio técnico conseguem colocação no mercado de trabalho um ano após a conclusão do curso (pesquisa realizada pelo Ibope, por solicitação do Senai, com mais de 2000 estudantes em 2014).

Há também outro número bem relevante e que diz muito: é que, nos países desenvolvidos, em média, 30% dos alunos de ensino médio optam por seguir um curso profissionalizante e/ou técnico e no Brasil, até 2014, esse percentual era de 6%, pasmem.

Ademais a questão da inserção no mercado de trabalho, outro fator positivo é que esse estudante começa a enxergar significado no conteúdo aprendido (temos muitos alunos questionando a aplicabilidade no cotidiano do Teorema de Baskhara ou de Tales, pra quem não seguirá em alguma área específica de exatas, obviamente). E isso é tudo o que o aluno mais deseja além de ver que o conhecimento estudado será aplicado na função/cargo que o mesmo almeja e isso o deixa mais preparado profissionalmente.

Bem, cabe a nós, formadores de opinião e que estamos diariamente próximo a esses alunos e pais, fomentar e clarificar o assunto, evidenciando o retorno do investimento (até mesmo do ponto de vista financeiro aqui, pois esse jovem precisa desenvolver o olhar para transformar esse conhecimento em renda/dinheiro)

Quando abordo dessa forma, qualquer pai e mãe entende a importância do assunto e, nesse momento, principalmente, compra a ideia comigo. Após isso, passa a ser, exclusivamente, uma escolha do aluno qual caminho seguir.

O que está se passando por esta cabeça?

O resultado do ENEM saiu um dia antes de eu escrever esse texto e confesso que não fiquei surpresa.

alunos

Inicialmente, vamos ter um panorama da importância da prova do ENEM em termos de processo seletivo, pois bem, ela é válida para todas as universidades particulares no Brasil e algumas em Portugal. Também temos a adesão da maioria das universidades públicas (sejam federais ou estaduais) pelo processo seletivo. Em algumas dessas, ainda sendo a única forma de seleção e a outra parte disponibiliza um número parcial de vagas (normalmente, 50% destas)

Por outro lado, temos cursinhos preparatórios e colégios que a tomam como foco principal para a preparação do conteúdo da aula de Redação e, também, para a avaliação de provas (geralmente, os três últimos anos escolares no ensino regular), a dedicação e investimento dos colégios, editoriais e sistemas de ensino em fomentar e elaborar um material de alto nível é notório.

E, mesmo com todo esse contexto, vamos aos catastróficos resultados na redação do ENEM. Sentem-se em suas poltronas e afivelem seus sensos auto analíticos, prontos?

Bem, aqui estão os números referentes a candidatos que tiraram nota 1000:

2013: tivemos um percentual de 0,009%

2014: esse numeral foi de 0,004%

2015: foi de 0,002%

2016: tivemos o índice de 0,001%

Mas o que há?

educacaoO crivo dos nossos corretores estão cada vez mais agudos ou nossos alunos, por sua vez, não conseguem responder à altura do que é necessário na elaboração textual? Ou, será ainda que a questão é fruto de um processo osmótico no qual uma dificuldade (leitura, interpretação, argumentação de fatos e elaboração de sugestões) intrínseca e claramente, evidente a olhos nus, permeia-se e está se espalhando com certa rapidez e pressão em todos os setores da sociedade?

Então, com certeza, é esta última alternativa a que gabarita nossa questão crucial: O que que há? O que está se passando com essa cabeça?

Quando olhamos esses números, estamos (sim , reforço o uso da terceira pessoal do plural) olhando para um reflexo de nós mesmos como sociedade, vamos tomar a responsabilidade para cada um de nós (pais , Estado e indivíduo), afinal, o professor sozinho não teria tamanha influência negativa para ser o único personagem responsável por tal cenário; sabe quando seu amigo lhe pede alguma explicação ou argumentação de determinado assunto e você não sabe como responder com uma sequência lógica (apresentação ,argumentação e solução do problema)? Ou então, quando você precisa vender sua ideia no trabalho e mal consegue fazer as pessoas te ouvirem por um minuto e logo, alguém lhe interrompe?

É claro que não estamos sendo assertivos, coesos, coerentes e claros com as palavras; afinal, a redação do ENEM quer que o candidato seja cabeça pensante: exponha, argumente e proponha uma solução para a problemática apresentada.

Por fim, já vou responder sua pergunta: e o que resolve isso? É a leitura elevada à segunda ou à terceira potência, não há outro caminho. Como se almeja que um mestre em caratê vença um campeonato? Ele treina não somente o golpe mas sim o passo a passo do golpe, exaustivamente; então, se quer treinar a escrita, treine a leitura (um passo anterior).

A DIDASKO

Projeto voltado para atividades educacionais (cursos livres de curta e longa duração, aulas particulares de diversas modalidades e palestras) ministradas por profissionais competentes e dedicados.

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